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O termo marreteiro, peculiar do Norte do País, tem origem remota. O registro mais antigo provavelmente é de 10 de maio de 1900. Nessa data, o jornal A Federação, do Amazonas, denunciou o descaso do superintendente de Manaus quanto ao hábito dos “marreteiros” de colocarem suas malas, baús e caixas no meio da rua Marquês de Santa Cruz, “interrompendo o tráfego”.

Depreciativo, o termo marreteiro significa algo como trapaceiro, vigarista, e revela o preconceito com os vendedores, na maioria de origem turca e sírio-libanesa. Eles eram ainda classificados em três tipos, se não tinham ponto fixo. Mario Ypiranga lembra em artigo à Biblioteca Virtual do Amazonas: “O palita-barata só negociava com fósforos. Trazia costumeiramente a tiracolo uma lata quadrada onde vinham os maços embalados desde a origem. Apregoava pelas ruas: ‘Palita barata!’”. Barateza era o que trazia uma caixa um pouco maior à frente da barriga, com mais artigos, e anunciava que os produtos eram baratos. Por último, havia o teque-teque, mais sofisticado. Trazia nas costas de tudo um pouco, os produtos engenhosamente guardados na “caixa de turco”, que carregava como mochila: de alfinetes a dentaduras postiças. Ia batendo um instrumento improvisado nas mãos, alardeando seu teque-teque pelas freguesias.
Apesar da denúncia de A Federação, o comércio informal e sua hierarquia de palitas-baratas, baratezas e teque-teques durou até a década de 1940. Muitos marreteiros prosperaram e abriram o próprio negócio em Manaus, como é a tradição dos turcos no Brasil. O termo teque-teque, contudo, perdura. É usado até hoje no Norte para se referir a mascates ou vendedores ambulantes de fazendas e objetos de armarinho. |